Foto(grafias) da cidade de Nazaré- Ba
Foto(grafias) da cidade de Nazaré- Ba
Há, nos dias atuais, muitas formas de se capturar a imagem de um lugar, que o digam os adeptos das mais novas tecnologias; câmeras digitais, filmadoras de última geração, entre outros. Mas o texto, na minha opinião, é , ainda, uma eficaz forma de elaborar o retrato de alguém, ou de um lugar. No caso deste, pinta-se o retrato de um lugar, ainda que com lentes amadoras. O lugar é Nazaré, terra onde moro .
Trata-se de um olhar sobre essa cidade pequena, histórica que faz parte do Recôncavo Sul da Bahia, cujo área urbana se organizou e cresceu em função da prosperidade do cultivo da cana-de-açúcar e da mandioca – para a produção de farinha, por isso a cidade ficou conhecida como Nazaré das Farinhas. O resultado dessas atividades econômicas refletiram-se na fisionomia da cidade que tem em sua composição belíssimos casarios (alguns em ruínas)que pertenceram a ricos fazendeiros.
A cidade de Nazaré é recortada ao meio pelo rio Jaguaripe e cercada de montes que emolduram o seu retrato. O rio já serviu, e ainda serve, como fonte de inspiração para escritores e poetas locais, mas infelizmente, ele hoje agoniza. Sofro em saber que seus dias podem estar contados, pois muito lixo é lançado em seu leito, inclusive resíduo industrial das poucas fábricas que ainda existem na cidade. Todos permanecem apáticos diante da sua degradação já que, por outro lado, é no trabalho árduo nessas fábricas que muitos sustentam a sua família. E como se não bastasse, muitas famílias nazarenas, em especial aquelas que vivem nas regiões ribeirinhas, depositam no rio o resíduo sólido produzido no seu cotidiano doméstico. Há neste caso uma conivência dos poderes públicos que fecham os olhos diante desse grave problema. Muitas das belezas naturais de minha terra só conheci via literatura de autores locais. E do jeito que as coisas caminham, não sei o que restará para meus netos e bisnetos.
A cidade destacou-se no passado como berço da cultura do Recôncavo, era referência em educação em se tratando do Ensino Normal e Profissionalizante. Hoje restam, para contar a história, alguns dos prédios em que funcionavam essas escolas. Dos cinemas que contam que aqui existiram, só nos resta um, o Cine Teatro Rio Branco, o mais antigo da América Latina, em funcionamento.
Das principais manifestações populares que a nossa geração herdou, posso citar a procissão em louvor ao Glorioso São Roque e a Feira de Caxixis – exposição de peças feitas de barro, um trabalho manual produzido em uma localidade vizinha denominada Maragogipinho – festa que ocorre todos os anos, há mais de um século, durante a Semana Santa. Apesar de um pouco desbotadas, as imagens das manifestações culturais como a capoeira, o candomblé, os quitutes e outros aspectos do modo de vida de povos indígenas e africanos, que construíram este lugar, ainda se fazem presentes no dia-a-dia dos habitantes. Recentemente, a cidade ganhou um símbolo que representa a fé do seu povo: o maravilhoso monumento Jesus de Nazaré, que do alto de um morro abraça toda a cidade, suas virtudes e seus problemas.
Hoje, pejorativamente apontada por moradores desesperançosos como “terra do já teve”, Nazaré entrou num estado de decadência que afetou muito a auto-estima dos moradores, em especial da juventude que, com grande dificuldade em obter emprego e pelas pouquíssimas possibilidades de profissionalização, acaba migrando para a capital em busca de mais oportunidades de emprego. Assustadoramente, muitos estão migrando para o mundo do tráfico, em busca do dinheiro fácil, contribuindo para a crescente onda de violência que vem devastando a paz e destruindo vidas precocemente, fato presente em muitas cidadezinhas do nosso país. É lamentável que ainda persista a carência de projetos que visem a preservação ambiental e a diminuição das diferenças socioeconômicas e culturais, e um olhar mais detalhado dos órgãos públicos para a população carente, para assim oferecer maiores oportunidades de melhoramento de vida a essas pessoas.
Apesar das desagradáveis transformações sofridas ao longo do tempo, a minha cidade ainda conserva o charme colonial impregnado na sua arquitetura e a maioria das pessoas que vive nela conserva o calor, a alegria e a receptividade típicos dos habitantes do Recôncavo Baiano.
Mailza Barbosa da Silva – 3º ano A
Profa. Ionã Scarante